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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #3-26 - Resistência Digital. A Experiência do Coletivo Bida (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]

Date Tue, 10 Mar 2026 07:53:13 +0200


Já escrevi um artigo nestas páginas (ver "Rede Jurássica" em "Umanità Nova" n.º 23, 9 de setembro de 2018) apresentando uma iniciativa lançada recentemente que me pareceu interessante mesmo sem conhecer os camaradas do Coletivo Bida que a lançaram. Nos anos que se seguiram, consegui conhecer alguns deles pessoalmente em alguns "Hackmeetings". Também participei de uma das primeiras assembleias realizadas em Bolonha pouco antes da pandemia, e de inúmeras reuniões virtuais que reuniram o Coletivo, de diversas maneiras, com os usuários de sua instância em mastodon.bida.im.

Quase oito anos se passaram, e essa iniciativa útil e corajosa continua ativa online e offline.

Segue uma breve entrevista, escrita para economizar espaço, com o objetivo de apresentar aos leitores de "Umanità Nova" o que é atualmente um dos projetos mais interessantes no cenário das comunicações digitais não comerciais, um projeto baseado em princípios muito semelhantes aos nossos.

Agradeço ao Coletivo Bida por responder às minhas perguntas, mas sobretudo pelo seu trabalho voluntário, que permite o funcionamento de ferramentas essenciais para escapar ao controlo generalizado que caracteriza as plataformas digitais comerciais. Uma armadilha em que muitos camaradas caíram e da qual parecem não conseguir escapar.

P: Gostariam de se apresentar?

Bida: O Bida é um coletivo de hackers sociais com uma visão política orientada para a autonomia, a solidariedade e as liberdades digitais. Há mais de doze anos que trabalha no campo das tecnologias livres, concebendo a infraestrutura digital como um espaço de conflito, cooperação e experimentação política, e não como uma simples ferramenta neutra.

P: Como surgiu o coletivo?

Bida: O coletivo nasceu do encontro de ativistas do círculo anarquista Camillo Berneri e da experiência do centro social XM24 no âmbito do hacklabbo, a partir da necessidade concreta de gerir e apoiar tecnicamente a criação do meta-OPAC Rebal.info. Rebal começou como um projeto para interligar bibliotecas e arquivos anarquistas e libertários, com o objetivo de facilitar o acesso ao conhecimento, promover práticas de autoaprendizagem e construir uma comunidade ativa em torno da memória e da produção cultural dos movimentos.

A partir dessa experiência inicial, a Bida desenvolveu, ao longo do tempo, habilidades técnicas e políticas cada vez mais estruturadas, orientando-se para a construção e gestão de infraestruturas digitais autogeridas, baseadas em software livre e modelos descentralizados. Em 2018, o coletivo lançou uma importante iniciativa generalista, o Mastodon, que ao longo dos anos cresceu para mais de 20.000 membros e permanece ativo até hoje, representando um dos principais exemplos italianos de uma rede social federada e não comercial, regida por regras comunitárias compartilhadas.

P: Que outras iniciativas vocês desenvolvem?

Bida: Simultaneamente, a Bida continua a apoiar e auxiliar outros coletivos, grupos informais e entidades políticas similares, oferecendo serviços digitais, consultoria técnica e suporte à infraestrutura. O trabalho do coletivo sempre se concentrou na construção de espaços digitais livres de vigilância, algoritmos proprietários e dependência de grandes plataformas tecnológicas, promovendo práticas de mutualismo, cooperação e autodeterminação tecnológica.

A Bida não se limita a "fornecer serviços", mas trabalha para construir redes, comunidades e imaginários alternativos, experimentando formas horizontais e coletivas de organização. Sua abordagem faz parte de uma perspectiva mais ampla de crítica ao capitalismo digital e à prática diária de uma outra forma de habitar, compartilhar e construir o mundo digital.

P: A instância mastodon.bida.im, dado o tempo que passa online, está quase no passado. Vocês planejam escrever algo mais extenso do que um comunicado de imprensa para relatar e resumir essa experiência?

Bida: É uma ideia que temos ponderado há algum tempo, mesmo que ainda não a tenhamos implementado. Por outro lado, o experimento não acabou: hoje estamos abrindo um novo capítulo com o lançamento do NoBigTech.social, por meio do qual oferecemos instâncias gratuitas do Mastodon para continuar promovendo a descentralização. Esta fase também fará parte da história e de um resumo mais amplo da experiência.

P: Deixando de lado as questões técnicas, qual foi o maior problema que você enfrentou com a instância? Você conseguiu resolvê-lo?

Bida: Além dos aspectos técnicos, o maior desafio que enfrentamos foi a moderação de conteúdo. A dificuldade residia tanto em gerenciar opiniões divergentes dentro do grupo quanto, sobretudo, em comunicar essas decisões aos usuários. Nos debates entre os membros, existem temas altamente polarizadores que, se não forem abordados com as ferramentas e a atenção adequadas, podem facilmente degenerar em conflitos muito difíceis de controlar, especialmente quando falta a capacidade de reconhecer e respeitar o outro.

Com o tempo, percebemos que os temas mais polarizadores tendem a se repetir: Israel/Palestina, Rússia/Ucrânia, vacinas/antivacinas. Infelizmente, atrás de um teclado, é particularmente difícil abordar essas questões de forma construtiva.

O que aprendemos é que os encontros presenciais contribuem muito para o entendimento mútuo e a discussão. Não é coincidência que tenhamos enfrentado os problemas mais sérios durante os períodos em que as relações eram exclusivamente online: o isolamento forçado durante a pandemia, nesse sentido, foi um fator determinante.

P: Com base na sua experiência e considerando o contexto atual, qual o grau de homogeneidade política necessário para um coletivo que pretende gerir uma questão semelhante à sua?

Bida: Mais do que homogeneidade política, acreditamos que é essencial haver um forte respeito mútuo dentro de um coletivo. No nosso caso, por exemplo, nem todos somos anarquistas. No entanto, a discussão constante, as reuniões e a partilha de ideias e práticas permitem-nos construir uma sólida confiança que, mesmo perante divergências, possibilita abordar e resolver problemas. Este é, para nós, o elemento verdadeiramente fundamental.

P: Sem entrar necessariamente em detalhes, alguma vez tiveram de lidar - diretamente - com agências estatais responsáveis pela repressão em questões relacionadas com o tema?

Bida: Felizmente, não neste momento. Soubemos da existência de alguns processos em que fomos alvo de escrutínio ou investigações, mas nada se materializou sob a forma de documentos formais ou comunicações oficiais. Isso é bom.

P: O objetivo de "remover" os camaradas das redes sociais comerciais ainda é válido? Ou você acha melhor usar a energia disponível para construir alternativas a essas redes sociais?

Bida: O objetivo de "remover" os camaradas das redes sociais comerciais continua totalmente válido; já existem alternativas. Não é por acaso que, com o projeto NoBigTech.social, propomos a criação gratuita de instâncias do Mastodon: um serviço que, no momento, não é oferecido por nenhum servidor radical (veja, por exemplo, a lista no riseup.net). Da mesma forma, promovemos

a instalação de servidores Matrix como uma tentativa concreta de conter o uso do Telegram; também propomos o PeerTube, uma alternativa ao YouTube.

Ao mesmo tempo, nos últimos anos, optamos por concentrar parte da nossa energia em outras frentes, como o fortalecimento de toda a rede Rebal e a reestruturação e melhoria dos serviços existentes.

P: Como os leitores da "Umanità Nova" podem apoiar o seu trabalho?

Bida: Contribuindo para a comunidade: use os serviços da Bida, como Mastodon, Matrix, PeerTube e outros (https://bida.im/services/), e conte para seus amigos sobre eles.

Você também pode apoiar nosso trabalho com uma doação em https://bida.im/dona ou, melhor ainda, nos encontrando pessoalmente!

Normalmente, temos um estande durante os Hackmeetings ou em outros eventos paralelos, que são constantemente atualizados em https://hackmeeting.org.

Como alternativa, você pode nos encontrar e conversar pessoalmente no Circolo Berneri, em Bolonha, nas noites de quarta-feira.

Pepsy

https://umanitanova.org/resistenza-digitale-lesperienza-del-collettivo-bida/
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