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(pt) Brazil, OSL: Todos os congressos são inimigos do povo! Ocupar as ruas contra o Marco Temporal e a anistia aos militares e a Bolsonaro! (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 7 Jan 2026 08:05:52 +0200
O que vimos nesta semana apenas escancara uma verdade que as classes
oprimidas conhecem há muito tempo: não existe Congresso "progressista",
não existe parlamento "do povo" e não existe governo capaz de conter a
direita enquanto seguir firmando acordos com seus algozes por dentro de
suas regras. Independentemente de quem ocupa o Planalto ou da composição
dos três poderes - especialmente o Congresso Nacional -, o parlamento
das classes dominantes opera sistematicamente contra os trabalhadores,
contra os povos originários, contra as liberdades democráticas e contra
qualquer projeto emancipador que ameace seus interesses.
A aprovação-relâmpago do PL da Dosimetria, na madrugada do dia 10, é
apenas mais um capítulo desse cenário. Trata-se de um projeto feito sob
medida para reduzir drasticamente as penas de Jair Bolsonaro, dos
generais golpistas e até mesmo de organizações criminosas, abrindo
caminho para uma anistia disfarçada e já negociada nos bastidores. A
votação, que terminou em 291 votos a 148, rasgou o sentido histórico da
responsabilização dos articuladores do golpe e reafirmou uma mensagem
clara: a institucionalidade protege a manutenção da dominação e seus
cúmplices, independentemente da máscara que usem.
Junto a isso, a mesma noite foi marcada por um verdadeiro circo
institucional, um espetáculo meticulosamente montado para produzir
narrativas, fabricar personagens e alimentar a lógica do "engajamento"
que virou método de poder. Violência da Polícia Legislativa, agressões a
parlamentares, censura e expulsão de jornalistas e, também, até o corte
da transmissão da TV Câmara compuseram a cena. De ambos os lados, o que
se viu foi a prioridade à construção de figuras parlamentares e batalhas
performáticas para disputa midiática e algorítmica, enquanto os ataques
reais aos direitos do povo avançavam quase sem resistência coletiva
organizada.
No Senado, o ataque continuou com a aprovação da PEC do Marco Temporal,
uma tentativa de aprofundar a institucionalização do etnocídio dos povos
indígenas, entregar territórios ao agronegócio, legitimar séculos de
expulsões violentas e submeter toda a política indigenista ao controle
direto dos latifundiários. Trata-se de um pacto explícito entre Estado,
ruralistas, mineradoras e grileiros.
Nada disso é acidente. Não é "desvio", não é "traição", não é
"retrocesso inesperado". É o funcionamento normal de um Congresso
estruturado para servir ao capital - e não ao povo!
Por isso afirmamos com clareza: não se faz mudanças por dentro do
Congresso. Não é possível democratizar uma máquina projetada para
esmagar trabalhadores, povos originários e movimentos sociais. Não é
possível enfrentar a direita através de conciliação com ela.
Enquanto o governo Lula/Alckmin insiste na política de acordos com a
direita nomeada como "Centrão" e aposta todas as fichas na
"governabilidade", a direita - em todas as suas expressões - avança. A
anistia aos golpistas, o Marco Temporal, os ajustes fiscais, as
concessões e altos financiamentos ao agronegócio e o desmonte ambiental
são frutos diretos dessa lógica. Não será nas urnas de 2026 que
impediremos novos golpes: será na luta direta.
Esses fatos demonstram que a via eleitoral e a disputa institucional são
um beco sem saída. A "governabilidade" pactuada pelo governo com o
Centrão não conteve a extrema-direita - ao contrário, fortaleceu seu
projeto autoritário. A conciliação de classes permanece como a raiz do
retrocesso. Dentro do parlamento, à esquerda restam apenas dois caminhos
igualmente estéreis: aproximar-se cada vez mais da direita para tentar
sobreviver politicamente, ou colocar-se como "voz combativa", de forma
isolada, obrigada a produzir fatos midiáticos para ser minimamente
ouvida. A lógica parlamentar obriga que mesmo mandatos mais alinhados
com os movimentos se voltem a si próprios, concentrando as ações em
torno dos próprios parlamentares e à luta institucional, deixando a
mobilização popular em segundo plano, muitas vezes fazendo com que os
movimentos se voltem para apoiar esses parlamentares, em vez do
contrário; a centralidade se virou completamente para o sentido da
manutenção dos cargos legislativos em detrimento de luta e organização.
A única resposta possível é a organização popular, a luta direta e a
força das ruas. Não podemos confiar em nenhuma instituição deste Estado
capitalista e genocida. Nossa força está na independência dos
movimentos, na ação direta e na solidariedade entre trabalhadores, povos
indígenas, quilombolas e todos os setores oprimidos. É momento de
organizar as forças para reconstruir a força social independente, e não
de construir candidaturas e dar centralidade à disputa eleitoral.
Por isso, nessa conjuntura enfatizamos dois eixos como prioridade:
- Pelo fim imediato do Marco Temporal! Demarcação já de todas as terras
indígenas!
- Contra a anistia a Bolsonaro e aos golpistas! Pelo fim do PL da
Dosimetria e por punição real a todos os envolvidos nos crimes do
governo Bolsonaro!
Este Congresso não nos representa. O Estado nunca nos defenderá. A
história mostra que todas as conquistas populares foram arrancadas pela
mobilização coletiva - nunca concedidas por gabinetes.
Reafirmamos: todos os Congressos foram, são e serão inimigos do povo!
Organização Socialista Libertária
Dezembro de 2025
https://socialismolibertario.net/2025/12/12/todos-os-congressos-sao-inimigos-do-povo/
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