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(pt) Italy, FDCA, Cantiere #43 - Anarquistas iranianos: "Continuamos a nos organizar e resistir" - Gabriel Fonten entrevista a Frente Anarquista (ca, de, en, fr, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Fri, 8 May 2026 09:06:36 +0300
Quando você conversou com a Freedom pela última vez, os protestos no Irã
estavam se espalhando e se intensificando rapidamente, mas a repressão
também estava aumentando. Você pode explicar o que aconteceu desde então
e o que o seu coletivo fez? ---- Desde nossa última entrevista, a
situação no Irã mudou de forma violenta e sem precedentes. Protestos
generalizados em muitas cidades foram recebidos com severa repressão. As
forças de segurança atacaram manifestantes usando munição real; milhares
foram mortos ou feridos e dezenas de milhares foram presos. Um clima de
tensão e insegurança se espalhou por todo o país.
Há também relatos e evidências documentadas que indicam que, sob as
atuais condições de guerra, alguns detidos estão sendo mantidos em
locais expostos a ataques aéreos e estão sendo usados como escudos humanos.
Em meio a essa situação, antes que o movimento tivesse a chance de se
reagrupar, outro acontecimento ocorreu: em 28 de fevereiro de 2026,
começaram os ataques militares em larga escala dos Estados Unidos e de
Israel contra o Irã, atingindo centenas de alvos em todo o país. Vários
comandantes de alto escalão e figuras políticas da República Islâmica
foram mortos nesses ataques, e o país agora está em estado de guerra.
A estrutura de poder da República Islâmica enfrenta uma grave crise, mas
o futuro político do país permanece incerto e contestado.
As forças americanas e israelenses alvejaram inúmeros locais no Irã e,
nesses ataques, não apenas alvos militares, mas também civis foram
mortos. Ao mesmo tempo, a República Islâmica usou sua capacidade de
mísseis para atingir alvos na região.
Esses confrontos colocam em risco a vida de milhões de pessoas em toda a
região, e centenas de civis já perderam a vida. A experiência histórica
da região também mostra que a intervenção estrangeira raramente levou à
verdadeira liberdade e muitas vezes produziu novas formas de dominação,
instabilidade e competição geopolítica.
Nessas condições, nossas atividades como anarquistas continuaram.
Buscamos impedir que essas vozes sejam silenciadas em meio à repressão e
à guerra, documentando eventos, publicando declarações, mantendo redes
internacionais de solidariedade e divulgando as vozes de trabalhadores,
mulheres e vários setores da sociedade.
Ao mesmo tempo, temos dado especial ênfase à ampliação das discussões
sobre auto-organização e organização horizontal em bairros, locais de
trabalho e universidades, e à conexão desses núcleos com redes mais
amplas de solidariedade social.
Acreditamos que, sem essas bases sociais, cada onda de protesto
permanecerá vulnerável à repressão estatal.
As pessoas conseguiram se defender da repressão que sofreram?
Em muitos casos, as pessoas buscaram se defender de diversas maneiras:
desde a criação de redes de solidariedade para cuidar dos feridos e
auxiliar as famílias dos detidos, até várias formas de resistência nas
ruas. No entanto, precisamos ser realistas: o aparato repressivo da
República Islâmica é extremamente vasto e altamente organizado, o que
dificultou a defesa coletiva.
Nessas condições, as pessoas desenvolveram métodos como a rápida
dispersão pelas ruas, a organização anônima e o apoio mútuo dentro dos
bairros. Em algumas regiões, como o Curdistão e o Baluchistão, onde há
uma história mais longa de resistência social, as comunidades locais, em
alguns casos, conseguiram se proteger melhor. Nas grandes cidades,
porém, a repressão tem sido extremamente severa.
O grupo mais vulnerável continua sendo o dos presos políticos,
particularmente aqueles detidos durante os protestos recentes, mantidos
em condições extremamente perigosas e ainda enfrentando a ameaça de
penas severas ou mesmo de execução.
A experiência deste período mostra que as redes locais de solidariedade
social podem desempenhar um papel importante na defesa coletiva e no
apoio à resistência.
Quando entrevistamos a Frente Anarquista pela última vez, o governo
iraniano havia acabado de bloquear completamente a internet. Houve
mudanças significativas na sua capacidade de se comunicar e acessar a
internet desde então? As pessoas conseguiram contornar essas restrições?
O governo iraniano continua a usar bloqueios ou restrições à internet
como uma de suas principais ferramentas de repressão. Nos últimos anos,
sempre que o acesso à internet foi amplamente interrompido, isso quase
sempre coincidiu com repressões violentas e o uso direto de armas de
fogo contra manifestantes.
Com o início da guerra, os bloqueios de internet foram novamente
implementados em larga escala, privando milhões de pessoas da
comunicação online. Mesmo antes da guerra, durante os protestos
recentes, as restrições à internet se tornaram mais severas e
prolongadas do que no passado, interrompendo a comunicação entre
ativistas por semanas.
No entanto, as pessoas adquiriram considerável experiência e habilidade
em contornar essas restrições. Ferramentas como os protocolos V2Ray e
aplicativos como Psiphon e Lantern são amplamente utilizados e, sempre
que uma conexão está disponível, o Telegram continua sendo uma das
plataformas de comunicação mais importantes.
A internet via satélite também se tornou importante para alguns
ativistas, embora o acesso ainda seja limitado.
Ao mesmo tempo, a experiência dos últimos anos mostrou que nenhum
movimento social pode depender exclusivamente da internet. O verdadeiro
alicerce de qualquer movimento social é construído por meio de relações
diretas, confiança mútua e conexões reais entre as pessoas. Você alertou
para o risco de monarquistas (que representavam uma pequena minoria nos
protestos) tentarem usar o movimento como trampolim para seu próprio
projeto político. Até que ponto você acha que eles foram bem-sucedidos?
Facções monarquistas tentaram se apresentar como a única alternativa
política, usando plataformas de mídia sob seu controle e com o apoio de
alguns governos estrangeiros. Reza Pahlavi e seus apoiadores tentaram
ativamente se apresentar como um governo de transição e receberam apoio
de alguns veículos de mídia em língua persa e de alguns governos ocidentais.
No entanto, a base social real desse movimento dentro do Irã é muito
mais limitada do que sua presença na mídia sugere. Muitas das pessoas
que participaram dos protestos foram às ruas contra todas as formas de
autoritarismo e não veem o retorno da monarquia como uma solução.
Na realidade, uma grande parcela da sociedade iraniana entende muito bem
que substituir uma forma de autoritarismo por outra não é uma solução.
Portanto, continuamos a enfatizar que o futuro da liberdade no Irã não
reside na restauração da monarquia nem na continuidade de outras
estruturas autoritárias, mas sim na autogestão social e em formas
democráticas de organização social.
Do nosso ponto de vista, a libertação do povo iraniano não pode ser
resultado de projetos impostos por potências estrangeiras. A liberdade
só pode surgir da luta e da vontade do próprio povo, e transformar
movimentos sociais em instrumentos de rivalidades interestatais
inevitavelmente acaba prejudicando a sociedade.
Há algo mais que você acha que nossos leitores deveriam saber sobre a
situação no Irã? E existem maneiras pelas quais eles podem oferecer apoio?
É importante entender que o povo do Irã não é simplesmente uma vítima
passiva desta guerra. Dentro da sociedade iraniana, existem muitos
movimentos sociais: trabalhadores, mulheres, estudantes, comunidades
étnicas e ativistas anarquistas que continuam a resistir e a se
organizar em condições extremamente difíceis.
A sociedade iraniana é complexa, multiétnica e dinâmica, e a luta pela
liberdade continua de muitas formas. O que mais importa é a
solidariedade internacional entre os movimentos populares, não o apoio a
projetos estatais ou soluções de cima para baixo.
Leitores fora do Irã podem desempenhar um papel importante amplificando
e traduzindo vozes independentes, organizando iniciativas de
solidariedade e ajudando a tornar as lutas sociais no Irã mais visíveis.
Quanto mais essas vozes forem ouvidas, mais difícil será silenciá-las.
Estamos aqui. Continuamos a nos organizar e a resistir.
Nem os mulás, nem o Xá!
Mulher! - Vida! - Liberdade!
Este artigo foi publicado no site Freedom em 10 de março de 2026
(https://freedomnews.org.uk/2026/03/10/iranian-anarchists-we-continue-to-organise-and-resist/).
https://alternativalibertaria.fdca.it/wpAL/
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