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(pt) Brazil, Capixaba, FACA: A Cortina de Fumaça das ONGs: O Assistencialismo como Braço do Capital e do Estado (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Wed, 14 Jan 2026 08:54:49 +0200
Camaradas, a realidade que nossa militância enfrenta no Espírito Santo é
absurda: proliferam-se por nossos territórios organizações não
governamentais que, longe de serem espaços de libertação, atuam como
agentes de domesticação. São, em sua maioria, extensões camufladas de
partidos políticos e igrejas, estruturas que não buscam a transformação
radical da sociedade, mas sim a perpetuação de um sistema de dominação.
É preciso denunciar com vigor: as ONGs, principalmente estas vinculadas,
são parte orgânica do capitalismo e não nos salvarão de suas garras.
Pelo contrário, são engrenagens que lubrificam a máquina da opressão.
Observemos as ONGs atreladas a partidos políticos. Sua existência é
cíclica e eleitoreira. Surgem como braços "sociais" de legendas que
almejam o controle do Estado, oferecendo migalhas assistencialistas em
troca de lealdade futura nas urnas. Sua ação não fortalece a autonomia
do povo, mas cria uma relação de dependência clientelista. Elas precisam
do Estado, seja através de editais públicos, verbas parlamentares ou
convênios, recursos esses que são usados para ampliar a base de
influência do partido. São, portanto, instrumentos para acessar o poder
estatal e, consequentemente, gerir os mecanismos do capital. Lutam por
uma fatia do bolo, jamais pela destruição do forno que cozinha a miséria.
Da mesma forma, as ONGs vinculadas a igrejas operam uma colonização mais
profunda, misturando caridade com proselitismo. Utilizam a fome e a
vulnerabilidade para impor uma moral religiosa e expandir seu rebanho.
Sua ajuda é condicional, um embrulho para a doutrinação, que visa
pacificar os oprimidos com a promessa de recompensa celestial,
anestesiando a revolta terrena necessária. Estas organizações também
dependem do Capital, seja através de doações de grandes corporações que
buscam lavar sua imagem, seja de recursos públicos obtidos por sua
enorme influência política. São o braço "social" do capitalismo
teológico, que converte a necessidade material em controle espiritual.
A conjuntura é clara: estas ONGs não existem à margem do sistema. Elas
são funcionais a ele. O capitalismo, em sua fase neoliberal, terceiriza
para elas o papel de amortecer os impactos mais brutais da exploração,
um paliativo que evita a explosão social. O Estado, por sua vez, as
financia e regula, cooptando potenciais focos de resistência e
transformando demandas por direitos em projetos gerenciáveis. São uma
válvula de escape, uma forma de gerenciar a pobreza sem alterar as
estruturas que a produzem. Enquanto distribuem cestas básicas, silenciam
sobre a propriedade privada dos meios de produção.
Nós, da Federação Anarquista Capixaba, rejeitamos esta cortina de
fumaça. Nossa luta não é por mais ONGs, mas por organização popular
autônoma, direta e de base. Acreditamos na ação direta, na ajuda mútua
desinteressada, na construção de realidades que confrontem o poder,
desde baixo, sem mediadores, sem patrões e sem sacerdotes. Construímos
comedores comunitários autogeridos, hortas coletivas, grupos de defesa
territorial e círculos de estudo sem vínculo com editais ou interesses
eleitorais. Nossa solidariedade é de classe, não é esmola nem investimento.
Portanto, desmascaremos essas entidades que, vestidas com o manto da
bondade, fortalecem as correntes que nos aprisionam. Não depositemos
nossa esperança em salvadores institucionais. Nossa libertação não virá
de cima, nem de projetos aprovados no gabinete de um político ou na
cúria de uma igreja. Virá da nossa própria capacidade de nos
organizarmos, horizontalmente, combatendo o Estado, o Capital e todas as
suas faces, inclusive as mais "beneméritas". A verdadeira transformação
social nasce da autonomia, do apoio mútuo e da luta intransigente contra
todas as formas de dominação. Fora do povo organizado, não há salvação!
Federação Anarquista Capixaba - FACA
https://federacaoc.noblogs.org/post/2025/12/12/a-cortina-de-fumaca-das-ongs-o-assistencialismo-como-braco-do-capital-e-do-estado/
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