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(pt) Italy, FAI, Umanita Nova #34-25 - Sangue, Dinheiro e Salvadores. A Guerra às Drogas: As Mil Máscaras do Império (ca, de, en, it, tr)[traduccion automatica]
Date
Sat, 10 Jan 2026 08:25:06 +0200
Aqui estamos nós novamente, os diretores da Casa Branca nos apresentando
o mesmo filme "O Império Contra-Ataca", sempre com o mesmo enredo, mas
desta vez ambientado na costa da Venezuela, ao estilo Trump. Estão
ficando repetitivos; esses vampiros sedentos de sangue e controle
realmente carecem de imaginação. Neste carrossel de horrores, a grande
potência americana brande a bandeira da guerra às drogas para justificar
sua projeção militar. Mais um pretexto, embalado - como de costume -
como um salvador, para justificar outra guerra, mas sempre para se
apoderar de petróleo, recursos e poder, e também para evitar a iminente
falência dos EUA.
O governo Trump intensificou de forma perturbadora sua retórica contra
Maduro, acusando-o de liderar um "Cartel de los Soles", de ser um
narcotraficante e um "narcoterrorista". Segundo Trump e seus apoiadores,
uma parcela significativa do fluxo de drogas - especialmente cocaína -
tem origem na Venezuela ou passa por ela. Assim, o plano genial desta
vez é: vamos devastar o maligno narcoestado venezuelano, colocar um
fantoche pró-americano no comando e salvar nossa juventude improdutiva,
transformada em zumbis pelo fentanil (um opioide sintético que causou
uma onda de mortes por overdose) nas ruas de Los Angeles. Trump, no
entanto, nunca se importou com essas alegações, mas elas ainda são
excelentes desculpas.
Contudo, observadores e analistas independentes questionaram
veementemente essas acusações. Como já mencionado no excelente artigo de
Massimo Varengo (Umanità Nova, 12 de novembro), de acordo com Pino
Arlacchi, ex-diretor do UNODC, a Venezuela não é um narcoestado: as
acusações não são sustentadas por relatórios concretos de agências
internacionais antidrogas. Além disso, como relata o site Contropiano,
os relatórios das Nações Unidas mencionam a Venezuela apenas
marginalmente, indicando que apenas uma pequena fração das drogas
colombianas transita pelo país. Em resumo, a demonização baseada no
narcotráfico parece, em muitos casos, ser uma manobra de propaganda,
útil para legitimar uma maior pressão militar imediatamente após o
investimento, nos últimos dois anos, em armas de destruição em massa
fornecidas ao Estado amigo de Israel para levar a cabo o genocídio em
Gaza e manter sua política de apartheid.
Segundo relatos recentes da imprensa, os EUA mobilizaram uma frota naval
significativa no Caribe como parte de operações "antinarcóticos" que,
para muitos, soam como um renascimento da clássica "diplomacia das
canhoneiras".
Mas qual é o verdadeiro espólio? Por trás dessas acusações, certamente
não se pode ignorar que a Venezuela é rica em enormes reservas de
petróleo e que sua história energética está profundamente entrelaçada
com os interesses dos EUA. Por décadas, os Estados Unidos mantiveram um
interesse estratégico no petróleo venezuelano: basta pensar nas
nacionalizações do petróleo na Venezuela, no poder sempre variável da
PDVSA, a empresa estatal, e na resposta de Washington com sanções e
pressão política. Além disso, certamente não é a primeira vez que os
Estados Unidos justificam sua intervenção em um país estratégico,
inclusive do ponto de vista econômico, com pretextos morais ("estamos
combatendo o mal das drogas").
Para entender a situação atual, também precisamos analisar a história do
imperialismo estadunidense, suas estratégias e como o controle de
recursos (especialmente petróleo) frequentemente norteou suas ações.
Seguem alguns exemplos:
- Plano Colômbia: Este é um dos exemplos mais marcantes de como a
retórica da "guerra contra o narcotráfico" está sendo usada por razões
geopolíticas e econômicas. O Plano Colômbia, apoiado pelos Estados
Unidos, não foi apenas uma campanha antidrogas, mas também uma operação
de apoio à segurança com o objetivo de estabilizar a região e proteger
interesses estratégicos, incluindo o petróleo.
- Intervenções energéticas na América Latina: Os EUA têm um longo
histórico - muitas vezes oculto - de envolvimento em países da América
Latina quando recursos naturais estão em jogo. Por exemplo, a Operação
FUBELT no Chile (1970-1973) é um dos casos mais conhecidos. A CIA
interveio para desestabilizar o governo Allende, temendo que suas
políticas pudessem ameaçar os interesses econômicos americanos.
- Operação Condor: Nas décadas de 1970 e 1980, os Estados Unidos
apoiaram redes repressivas transnacionais na América do Sul (Argentina,
Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, etc.), ostensivamente contra a
"subversão", mas com consequências concretas de controle político e
repressão, frequentemente em colaboração com regimes autoritários de
direita.
- Nicarágua: Durante a guerra civil da década de 1980, os rebeldes
Contras, apoiados pela CIA, foram acusados de traficar cocaína para
financiar sua luta contra o governo sandinista. Documentos
desclassificados mostram que funcionários do Conselho de Segurança
Nacional (CSN) tinham conhecimento das ligações entre alguns comandantes
dos Contras e traficantes de drogas. Uma investigação do Senado (o
"Comitê Kerry") descobriu que alguns fundos destinados aos Contras
provinham de intermediários ligados ao narcotráfico. Algumas fontes
afirmam que os EUA exploraram a narrativa do "narcoterrorismo" para
justificar o apoio militar aos Contras.
- Afeganistão: Ópio e forte responsabilidade americana. Cada vez mais
evidências reais e complexas estão surgindo sobre o envolvimento da CIA
nos campos de papoula afegãos. Durante a invasão soviética (década de
1980), os EUA, por meio da Operação Ciclone, apoiaram os mujahidin,
alguns dos quais, como Gulbuddin Hekmatyar, usaram a ajuda da CIA para
construir redes de tráfico de ópio e laboratórios de heroína. Mais
recentemente (2004-2015), a CIA teria lançado um projeto secreto para
sabotar a produção de ópio: aviões sobrevoaram os campos de Helmand e
Nangarhar para dispersar sementes de papoula selecionadas, com baixas
concentrações de alcaloides, de modo que as plantas resultantes
contaminassem geneticamente as plantações nativas, reduzindo a pureza do
ópio. O apoio político e militar dos EUA a grupos que, por sua vez,
exploram o ópio como recurso econômico é evidente. O programa secreto de
plantio demonstra uma forma sofisticada de "guerra alternativa": não
visando diretamente os agricultores, mas buscando degradar a qualidade
da papoula para reduzir o valor do ópio. Documentos e análises de fontes
confiáveis corroboram a ideia de que a CIA e os EUA obtiveram uma
vantagem estratégica (e em parte econômica) com o comércio de ópio no
Afeganistão, especialmente durante a guerra soviética.
Também é necessário examinar as dimensões internacionais e de saúde do
vício para compreender a questão do tráfico de drogas além de sua
perspectiva geopolítica.
De acordo com o último Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 do UNODC,
o uso global de drogas não alcoólicas aumentou significativamente: em
2023, aproximadamente 316 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos usaram
pelo menos uma substância ilícita, em comparação com 5,2% em 2013. As
substâncias mais comumente usadas são cannabis (aproximadamente 244
milhões de usuários), seguida por opioides (61 milhões), anfetaminas
(30,7 milhões), cocaína (25 milhões) e ecstasy (21 milhões). Além disso,
o mercado de cocaína atingiu seu pico em 2023: a produção ilegal é
estimada em 3.708 toneladas, um aumento de 34% em relação ao ano
anterior. Esse crescimento global, segundo o UNODC, alimenta um ciclo
vicioso: maior demanda -> maior produção -> mais crimes, violência e
instabilidade. Por outro lado, do ponto de vista da saúde, a ONU relata
que apenas uma pequena parcela das pessoas com transtornos por uso de
substâncias recebe tratamento adequado: seu relatório destaca uma
significativa "lacuna no tratamento". Em resumo, o vício está cada vez
mais prevalente, mas os recursos investidos nos sistemas de saúde não
acompanham o ritmo do problema: políticas punitivas frequentemente
prevalecem sobre as de saúde pública, e não apenas nos Estados Unidos,
um país "liberal".
Devemos também nos perguntar, por exemplo, o que aconteceria se os
Estados Unidos parassem de usar recursos para ameaçar, intimidar e
atacar, e, em vez disso, investissem esses mesmos recursos em um plano
abrangente de saúde pública para sua própria população, com foco genuíno
no vício. Essa é a pergunta que devemos fazer não apenas àqueles que são
alvos dessa guerra, mas também àqueles que a financiam, e tentar
entender como as coisas poderiam ser feitas de forma diferente. Muitos
especialistas denunciam a estratégia dominante na luta contra as drogas
- especialmente a exportada pelos Estados Unidos - que privilegia a
repressão e a criminalização em detrimento do tratamento, da prevenção e
da redução de danos. A organização Harm Reduction International, por
exemplo, publicou um relatório criticando a alocação de recursos: grande
parte do dinheiro é direcionada para a "guerra" em vez de políticas de
saúde baseadas em evidências (Harm Reduction International). Este modelo
não só falha em reduzir o mercado de drogas de forma sustentável, como
muitas vezes causa danos diretos a comunidades vulneráveis, criminaliza
usuários de drogas, exacerba a desigualdade e ameaça os direitos
humanos. O verdadeiro "narcoestado" é a lógica imperialista que usa o
pretexto das drogas para justificar intervenções violentas e exploração,
ignorando as reais necessidades das pessoas que sofrem.
Segundo o People's Dispatch, o custo operacional naval para navios
americanos destacados no Caribe (em uma hipotética operação contra a
Venezuela) é estimado em pelo menos US$ 18 milhões por dia. Uma guerra
entre EUA e Venezuela, se conduzida em larga escala com o objetivo de
"vencer" e estabilizar a situação, poderia custar dezenas de bilhões de
dólares, um valor altíssimo mesmo para o Pentágono, e insustentável sem
sérios impactos orçamentários. Digamos entre US$ 20 e US$ 50 bilhões.
Com esses mesmos US$ 20 a US$ 50 bilhões (ou mais), os Estados Unidos
poderiam implementar um plano ambicioso, porém realista, para um sistema
de saúde pública universal ou quase universal, fortalecer o tratamento e
a prevenção de dependência química e a saúde mental, além de reduzir
significativamente o sofrimento social interno. Vamos fazer uma
estimativa bem mais conservadora e reduzir os gastos para, digamos, US$
10 bilhões por ano? Com US$ 10 bilhões, é realista construir um plano
público ambicioso para tratar um número significativo (1 a 2 milhões) de
pessoas com dependência química nos EUA, incluindo treinamento de
pessoal, programas de redução de danos, serviços domiciliares e, quem
sabe, até oferecer café venezuelano de graça.
Se o Estado investisse em cuidados, e não em punição ou intimidação,
demonstraria responsabilidade para com seus cidadãos (o que, em teoria,
é a única razão para a existência de um Estado, segundo certos modelos
democráticos questionáveis de contrato social). Em vez de enviar
porta-aviões e frotas navais, poderia construir centros de recuperação;
em vez de bombardear bases estrangeiras, poderia distribuir naloxona e
apoio psicológico. Tal programa não só combateria a epidemia de fentanil
internamente, como também destruiria a narrativa de que o Estado lida
com drogas apenas por razões de segurança. Demonstraria que a verdadeira
segurança é a vida, não o controle; que a política não se trata de
dominação, mas de serviço e solidariedade.
Dados recentes, por exemplo, mostram que as apreensões de fentanil nos
Estados Unidos explodiram: entre 2017 e 2023, as apreensões aumentaram
1.700%, sendo uma parcela significativa delas comprimidos; um relatório
apontou uma queda de 30,6% nas mortes relacionadas ao fentanil em um
ano. Segundo a Reuters, a queda geral nas mortes por overdose também é
atribuída a medidas de saúde pública (distribuição de naloxona, apoio
terapêutico), e não apenas a políticas repressivas.
Vamos imaginar um plano radical, um programa nacional de saúde pública
gratuito nos EUA, cujos pilares incluam, por um lado, esforços massivos
de prevenção em escolas, comunidades e nas áreas urbanas mais
vulneráveis, com campanhas de educação sobre dependência; e, por outro,
um plano focado em tratamento e reabilitação, com clínicas gratuitas ou
subsidiadas para transtornos por uso de substâncias, incluindo um forte
enfoque na redução de danos (terapia de substituição e psicoeducação).
Não podemos esquecer que parte da epidemia de dependência química nos
Estados Unidos tem raízes em políticas sociais inadequadas: um sistema
de bem-estar social frágil, desigualdade crescente e assistência médica
pública insuficiente que, nas últimas duas décadas, deixaram milhões de
pessoas vulneráveis, expostas ao estresse, à solidão e ao desespero.
Quando o Estado falha em fornecer apoio material - emprego estável,
assistência médica, solidariedade -, muitos acabam buscando alívio e
refúgio nas drogas. Isso cria um terreno fértil para o sofrimento
prosperar. Esse mal social não é culpa exclusiva daqueles que sofrem com
ele: o próprio Estado é corresponsável, não apenas por omissão, mas
também por ação. E não se trata apenas de um fenômeno contemporâneo. Já
nas décadas de 1960 e 1970, o uso massivo de LSD, maconha e outros
psicodélicos no movimento hippie não era totalmente alheio a manobras
estatais. Documentos históricos sugerem que a CIA, como parte do Projeto
MK-ULTRA, financiou pesquisas com LSD e realizou experimentos com jovens
membros da contracultura. Se o Estado é um arquiteto indireto ou mesmo
direto dessas "experiências socioculturais", quem pode nos garantir que
ele não lançou as bases para uma epidemia muito mais ampla hoje,
alimentada pela pobreza, desigualdade e um sistema de saúde que prefere
criminalizar o vício em vez de tratá-lo?
Não podemos aceitar que a retórica da segurança e da moralidade oculte
profundos interesses econômicos, controle e exploração de recursos. Em
última análise, a verdadeira solução não reside na guerra, mas em
questões sociais, na saúde, na prevenção e no tratamento. Investir em
saúde pública, redução de danos, educação e reabilitação significa
abordar o vício pelo que ele é: uma questão humana, não um bode
expiatório geopolítico. Um mundo livre e justo não se constrói com
porta-aviões ou sanções, mas com dignidade, solidariedade e verdadeira
liberdade.
O Estado sempre tem as mãos manchadas de sangue, corrupção e sofrimento.
Paremos de pedir que a violência se transforme em solidariedade, paremos
de pedir que a guerra se transforme em paz, paremos de pedir aos
opressores que criem liberdade, paremos de pedir e retomemos tudo!
Gabriele Cammarata
https://umanitanova.org/sangue-soldi-e-salvatori-guerra-al-narcotraffico-le-mille-maschere-dellimpero/
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